Prestes a lançar um novo single ao lado de Léo Santana e ainda colhendo muitos frutos pelo sucesso de “Bumbum de Ouro”, Gloria Groove conversou conosco sobre sua carreira e próximos projetos em uma entrevista incrível. Confira na íntegra a seguir:

1. Você participou de shows de calouros, da segunda formação do Balão Mágico e começou a se envolver no universo drag ao participar da montagem independente do musical americano “Hair”. Essa foi sua primeira experiência montada e cantando no palco. O que aquilo significou pra sua carreira?

GG: Foi o ápice da minha auto-confiança e coragem descobrir um alter-ego drag em mim, pois me levou a expandir muito mais minha consciência mais tarde. Sou grata por ter iniciado meu experimento num lugar tão sagrado como o teatro.

2. Você começou a cantar antes mesmo de ser drag. Como foi a transição do gospel para drag?

GG: Uma coisa não se deu logo após a outra, no meio disso ocorreu meu amadurecimento, processo de me assumir pra família, relação com o teatro e tudo mais. Por isso as duas vias nunca se chocaram.

3. Como você decidiu criar a Gloria Groove? Conta pra gente como foi esse processo, quais foram as suas referências e quando você percebeu que era a hora de se tornar drag?

GG: Foi a partir da influência do reality RuPaul’s Drag Race paralela à experiência em teatro musical, que culminou na minha descoberta do meu eu-artístico-musical. Muito mais que uma personagem, Gloria Groove se tornou parte de quem eu sou por representar tudo que eu amo e admiro como minha mãe Gina, Beyoncé, Rihanna, Elis, Amy… Foi após esse entendimento que comecei a correr atrás de fazer minhas músicas.

4. A popularidade do programa Ru Paul’s Drag Race foi um propulsor para a arte drag e também para a sua carreira aqui no Brasil. Você possui alguma relação especial com o reality? O que dizer sobre uma possível versão brasileira de “RuPaul’s Drag Race”?

GG: O trabalho de RuPaul teve um enorme impacto não só na minha vida, mas em toda a nossa cultura. Sou muito fã até hoje e me inspiro muito no universo delas. Quando comecei a cantar em boates, cheguei a abrir shows pra várias como Bianca Del Rio, Sharon Needles, Adore Delano, Latrice Royale… Inesquecível. Sem dúvidas uma versão nacional seria estupenda para mostrar a pluralidade de talentos drag que temos aqui.

5. A sua carreira musical sempre foi muito focada no rap, no hip hop e no R&B, universos distintos do que se associa naturalmente a cultura gay. Você consegue lembrar do momento em que se intitulou Drag Rapper? Porque você decidiu seguir por esse lado da música? E quais são as suas influências e inspirações?

GG: Nunca me intitulei “a drag rapper”, pois cheguei na cena cantando. No meu primeiro single eu canto 75% da faixa e só porque troquei o segundo verso por um flow, boom. Fui agraciada com o título pelo público. O hip-hop é inegável nas minhas influências e concepções musicais, porém sinto que o título de somente rapper não condiz com o que tenho pra oferecer como um todo. Comecei a curtir hip-hop e R&B aos 7 anos mais ou menos, por causa dos clipes na TV, e os saudosos DVDs “Black Total” da barraquinha com mais de 50 clipes da época. A cena norte-americana do começo dos anos 2000 é uma tremenda influência pra mim.

6. Seus dois últimos trabalhos mostraram uma fase de transição, onde você aparece deixando um pouco o rap e entrando no cenário pop. Veremos mais disso daqui pra frente?

GG: Sem dúvidas hoje me sinto mais a vontade pra explorar minhas possibilidades, e não vejo a hora de ver até onde pode me levar. Teremos mais pop com certeza, mas sem deixar de trazer as vertentes de rimas e R&B vocal.

7. Como você enxerga a grande exposição com a musica “Bumbum de Ouro”? Podemos dizer que foi a musica que mais destacou o seu nome a nível nacional?

GG: Mesmo sendo uma música pensada e planejada para ser um divisor de águas, eu jamais imaginava que as coisas aconteceriam assim. Me surpreendo todos os dias com os lugares que ela chega, e quantos públicos atinge. Pra ter uma noção, meu canal no YouTube tem em torno de 37 milhões de visualizações ao todo, sendo que 16 milhões são referentes somente ao clipe de “Bumbum de Ouro”. Insano!

8. Você é bem empoderada, sendo uma drag vinda da Zona Leste de São Paulo, que fala sobre problemas de seu próprio universo. Você vê como uma responsabilidade passar essa mensagem? Como você enfrenta essas barreiras do cotidiano? E como vem sendo o feedback do público?

GG: Vejo como uma forma de não me calar perante a opressão da sociedade, e ao mesmo tempo levantar a voz por muitas pessoas iguais a mim. Além de responsabilidade, é um tremendo desafio amadurecer aos olhos do público. Somos alvo de muitas críticas e ódio gratuito, mas também somos corpos artistas em constante transformação e contando com o amor e a entrega do nosso público, que também é a nossa comunidade.

9. A arte drag no Brasil está, aos poucos, se distanciando da marginalidade que muitas artistas tanto enfrentaram no passado, como você percebe esse novo espaço que está se formando? O que você acredita que as drags e o público precisam fazer para que o trabalho seja ainda mais valorizado?

GG: Vejo que estamos galgando um caminho muito improvável e  extremamente necessário para a evolução do inconsciente coletivo. Os LGBTQs na música trazem o novo e o desconhecido em forma de som e imagem, e assim abrem caminhos e tornam-se representações. Creio que a evolução disso consiste em acreditar e apoiar esses talentos.

10. Você já fez parcerias com outras drags. Podemos esperar para esse ano mais alguma?

GG: Eu adoraria me juntar com mais alguma mana esse ano!

11. “Arrasta”, sua nova música com Léo Santana, deve ser lançada no fim de maio/ início de junho. O que podemos esperar dessa parceria? Tem alguma novidade sobre o processo criativo que você pode contar pra gente?

GG: “Arrasta” é daquelas farofas contagiantes que gruda na primeira. Sempre tive Léo em mente como primeira opção pra essa, mas não imaginava quão generoso ele seria em aceitar o convite e ainda por cima se declarar fã do meu trabalho. Ele é uma tremenda referência pra mim como showman brasileiro. A faixa é sensacional e estamos trabalhando num vídeo a altura.

12. Você vai lançar um álbum novo neste ano. O que você pode adiantar?

GG: Posso adiantar que sofro muito de ansiedade por querer dividir com vocês coisas fantásticas que venho gravando, mas que tudo vai ser revelado na hora certa. Pretendo fazer tudo com muito carinho e ainda mais afinco nessa nova fase.

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