Bosco Jones, que regravou recentemente um dos sucessos da banda Mamonas Assassinas, conversou conosco sobre seu estilo musical, a decisão de seguir carreira solo, o motivo que o levou a regravar “Vento Frio” e o que podemos esperar do cantor em 2018.

Confira a entrevista na íntegra:

Você participou algumas bandas até optar por seguir carreira solo recentemente. O que te levou a tomar essa decisão? 

Esta foi uma decisão super difícil. Como tudo na vida, existem coisas positivas e negativas em ambos os perfis de carreira. O lado positivo de se ter uma banda é poder dividir, além dos custos e investimentos, as decisões estratégicas, ouvindo várias opiniões. Já o lado complicado é exatamente este também (risos), ouvir várias opiniões e gerenciar diversos egos, ao mesmo tempo, pode ser complexo e, às vezes, atrasar os processos. Após passar por diversas experiências nas bandas que tive, achei que estava maduro e que era o momento de “tomar as rédeas” da carreira me lançando como artista solo.

De qualquer forma, “solo” é apenas um rótulo, sozinho não fazemos nada, continuo tendo uma equipe que me acompanha, como músicos, produtor e assessores, que sempre troco ideias e, com certeza, eles me ajudam muito na administração de toda a minha carreira, a diferença é que hoje a decisão final fica sempre apenas sob a minha responsabilidade, o que eu acho bem interessante!

O seu estilo musical é o pop-rock. Você sempre produziu músicas com essa pegada ou seu estilo foi mudando ao longo dos anos?

Eu sempre tive essa veia pop no rock que eu fazia (dentro do meu conceito do que é ser “pop”, claro (risos). Apesar de curtir e ouvir rock de vários estilos, desde o metal até o clássico, passando, claro, pelo pop-rock, naturalmente sempre tive essa pegada mais pop. Alguns músicos e amigos têm um pouco de receio em se admitir pop, mas na minha visão, é natural.

O meu conceito de “ser pop rock”, não é fazer algo de qualidade inferior, sem atitude, pegada ou sonoridade rock and roll, pelo contrário! Acredito que ser “pop rock” é uma missão muito difícil hoje em dia, é tentar fazer um som rock and roll ser popular, ou seja, chegar na maioria das pessoas e fazer sentido pra elas. Para isto, tem que ter qualidade, mensagem, boa melodia, qualidade harmônica, atitude, enfim, tem que ser um som de alto nível!

Ano passado você lançou seu primeiro cd solo. Quais foram as suas inspirações? Pode contar pra gente um pouco do processo criativo?

Na realidade, foi um EP com 4 faixas e, na realidade, é uma viagem no tempo (risos). Foi gravado originalmente em 2010, quando terminei a minha primeira banda, a Theodoro 865, e fiquei um pouco confuso de como seguir a carreira, portanto eu posso dizer que ele é um pouco introspectivo, fala de mim e dos sentimentos que eu tinha na época, mas que acho que têm muito a ver com sentimentos que todas as pessoas têm quando algo grande muda em sua vida. A faixa de trabalho, “Eu Fui”, fala muito disto, por isso, o nome do EP, “Longe de Tudo, Longe Daqui”. Tenho que citar que este trabalho teve a ajuda de um irmão da música, o grande Landau, que gravou todos os instrumentos e me deu de presente a faixa “Distante”, de composição dele.

O meu processo de criação é muito visceral. Por muitas vezes, surge uma melodia em locais e  momentos inesperados, como na fila do banco, ou observando alguma situação na rua (risos) e quando isso acontece, uso o celular para gravá-la e depois compor em meu home estúdio.

De onde surgiu a ideia de regravar a música dos Mamonas Assassinas? Você tinha alguma relação especial com a banda?  

Acho que como quase todo adolescente brasileiro, que viveu nos anos 90, era fã dos caras. Curti bastante o trabalho deles e fiquei bastante chocado como tudo acabou de uma hora pra outra.

A ideia veio de um amigo em comum, o André Oliveira, conhecido como Ralado, antigo produtor de estrada deles, que havia trabalhado comigo na banda Theodoro 865 e queria fazer uma homenagem pra eles. Num bate papo informal, ele me deu esta ideia de regravar a versão de uma música da Utopia, banda que deu origem aos Mamonas Assassinas e eu comprei na hora!

Estudei todo o repertório, a ideia inicial era fazermos uma versão de “Horizonte Infinito”, mas me apaixonei por “Vento Frio” e fiz. Uma menção aqui ao grande Andrés Recasens, produtor e arranjador desta versão, que trabalhou muito comigo para chegarmos neste grande resultado final!

Quais os seus projetos para 2018? Pretende lançar um novo EP? Viajar em turnê?

Em 2018, devo acabar de gravar e lançar o meu novo CD, intitulado “Urgente!” e que vai falar um pouco desta relação de amor que tenho com a cidade de São Paulo! Está ficando interessante e não vejo a hora de lançar!

O que mudou na sua vida, tanto pessoal quanto profissional, desde que ingressou na carreira musical?

Tudo muda, rotina, horários, a única coisa que não mudou é a intensidade de trabalho e o foco nos objetivos. Continuo seguindo meu lema, uma frase do grande produtor Benjamin Taubkin: “Nada resiste ao trabalho constante!”

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